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09/08/2010 às 08:15
Ritmo acelerado causa falta de material de construção
A indústria que envolve nacionalmente dez milhões de empregos, acaba de colocar cinco mil novos imóveis em oferta e estima uma movimentação anual superior a R$ 1,1 bilhão apenas em João Pessoa. Potência sustentada por um equilibrado tripé econômico - estabilização da inflação, abertura do crédito bancário e melhor renda dos trabalhadores –, a construção civil vem se tornando o alicerce sobre o qual se ergue novo cenário em todo o Estado, que vem verticalizando a vida de quem sonhava com uma oportunidade de emprego ou com a casa própria. Como um teto para chamar de seu deixou de ser realidade dos ricos, falta cimento, telhas e tijolos no comércio para concretizar tantos sonhos.
Comerciante há vinte anos, Maria da Paz Araújo poucas vezes conviveu com o problema de falta de material de construção no mercado. “Com esse boom no setor, as pessoas estão construindo cada vez mais, e muitas costumam comprar diretamente nas fábricas. Assim, os fabricantes estavam vendendo para o consumidor e deixando de abastecer o comércio, o que é proibido por lei”, revela a proprietária do Depósito Shalon. “A solução que encontramos foi mandar buscar na fábrica, já que as vendas cresceram em média 30%, principalmente de tijolo e cimento. São mais de dois mil sacos por mês”.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Indústrias, Serviços e Turismo do Estado da Paraíba (Fecomércio-PB) Marconi Medeiros afirma que as lojas de materias de construção demonstram um crescimento de cerca de 9% em relação ao primeiro semestre de 2009. “Esses números correspondem principalmente ao estímulo do Governo Federal, através de programas como ‘Minha Casa, Minha Vida’, além o crescimento da renda da sociedade paraibana, que vem aumentando sensivelmente”, avalia.
Programas públicos de incentivo a moradia impulsionam esse avanço, mas não são os únicos responsáveis pela expansão, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-JP), Irenaldo Quintans. “Os programas são um dos fatores, mas o mercado se aqueceu como um todo, pois com a atual estabilidade os trabalhadores têm mais condições de programar suas prestações e assumir os financiamentos relacionados à habitação”, revela Quintans.
Depois de um longo período de resistência ao crédito para moradia, a retomada da oferta de financiamento bancário mostrou-se fundamental nesse processo. O engenheiro explica que hoje todos os bancos que operam em território nacional, independentes de serem oficiais ou privados, estão com créditos imobiliários à disposição dos clientes das mais diversas camadas sociais, emprestando dinheiro tanto para as construtoras quanto para o consumidor final.
“Foram quase vinte anos de financiamentos apenas esporádicos, época em que o mercado quase não operou com bancos, pois estes temiam uma volta da inflação”, recorda Irenaldo Quintans. “Mas desde 2003 para cá o crédito imobiliário nacional passou de 0,5% a 5% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, crescimento sobretudo motivado pela aprovação da lei n° 10.931, que trouxe uma série de novidades imobiliárias, no que diz respeito à responsabilidade dos bancos de movimentarem no mercado os papéis imobiliários”.
Para não correr o risco de perder uma fatia desse bolo, construtores, fornecedores e comerciantes já estão reforçando seus estoques.
A falta de material foi resultado de um desequilíbrio entre a grande procura e a capacidade da indústria de fornecer material, mas ambas já estão se ajustando”, adianta Irenaldo Quintans. “O processo leva algum tempo”, pondera.
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02/08/2010 às 09:32
obras estruturantes propostas por Maranhão farão a Paraíba prosperar
“A construção civil experimenta uma expansão em nível nacional, do ponto de vista imobiliário, mas do ponto de vista de obras públicas é necessário que o gestor busque, procure, que apresente projetos aos órgãos do governo federal e aos Ministérios. E nós que fazemos o segmento da construção civil temos percebido que o governador Maranhão está dando muita ênfase a esse aspecto de obras estruturantes, que no nosso ponto de vista é o que vai fazer com que a Paraíba realmente se encaminhe para o desenvolvimento e retome o seu lugar de destaque no cenário nordestino”.
Irenaldo Quintans, que também é economista e integra a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil, fez uma análise da conjunta atual. Afirmou que a Paraíba precisa aproveitar o momento que vive o Brasil que está em pleno crescimento com a formação bruta de capital fixo atingindo 5% do PIB (Produto Interno Bruto), e que segundo ele é um número extraordinário. Partindo desse parâmetro, Irenaldo espera que a Paraíba siga repetindo essa experiência.
“Eu reafirmo que o caminho para esse Estado se desenvolver são as obras estruturantes, ou seja, a captação das obras estruturantes em nível federal como, por exemplo, o Porto de Águas Profundas, a conclusão do Pólo Turístico Cabo Branco a partir do Centro de Convenções, e muitas outras obras que José Maranhão tem apresentado como meta de governo”.
Emprego e Renda - Dentro da cadeia produtiva, a construção civil movimenta quase 20% do PIB da Paraíba, e com base nesse índice, o presidente do Sinduscon-JP acredita que a construção civil seja a engrenagem que pode fazer a Paraíba prosperar, por ser uma indústria intensiva de mão de obra.
“Só pra citar como exemplo, na medida em que a população dispõe de um importante programa como “Minha Casa Minha Vida”, que tem sido tão bem executado pelo governo do Estado e Caixa Econômica Federal, juntamente com a potência do PAC , aí nós temos a Paraíba toda virada num canteiro de obras. Para cada 1 milhão de reais que são investidos na habitação rapidamente são gerados 70 empregos diretos. Não é a toa que o governador José Maranhão é apelidado carinhosamente do governador ‘Mestre do Obras’”, finalizou Irenaldo.
Projetos estruturantes, que vão gerar mais emprego e renda ao setor da construção civil, estão presentes da primeira a última folha do projeto de governo de José Maranhão. O destaque está no Porto de Águas Profundas, que vai aumentar a competitividade econômica do Estado, e a construção da Via Jaguaribe, em João Pessoa, para desafogar o tráfego da capital paraibana.
Ainda no programa de governo, projetos para ampliação da infraestrutura nos setores aeroviário – as obras do novo aeroporto de Cajazeiras já estão em andamento -, portuário, ferroviário e rodoviário (são 1.080 quilômetros de construção e recuperação das estradas pela Paraíba). Na área de saúde, estão previstos a construção de novos hospitais. O plano de governo prevê ainda 50 mil casas populares beneficiando 250 mil paraibanos, além implantação e ampliação de Sistemas de Abastecimento de Água. O objetivo é atender 100% dos municípios da Paraíba. Serão obras que movimentarão o setor da construção civil em toda a Paraíba.
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04/07/2010 às 09:43
A pátria de chuteiras
Transpira-se Copa do Mundo nesses dias radiosos. Dias em que o país do futebol entra numa espécie de transe. Em meio ao encantamento, porém, é prudente observar que o notável esforço que a África do Sul despendeu para viabilizá-la deverá ser feito pelo Brasil até 2014 - amanhã, a bem dizer. E já se corre para recuperar o tempo perdido.
Tenho ouvido opiniões extremadas sobre o assunto, como, de resto, o são as coisas relacionadas à paixão nacional. Os otimistas acham que baixará o espírito improvisador do Zé Carioca e tudo estará miraculosamente arrumado até lá. Afinal, Deus é brasileiro. Já os céticos asseguram que a nossa participação, enquanto sede, será cancelada por inércia e o torneio transferido para a Venezuela, que se prepara em segredo. Vindo dali, dá até para acreditar, não?
Fantasias à parte, efetivamente, existe muito trabalho a ser realizado na dúzia de cidades-sede, para que a competição seja levada a cabo, senão com a beleza européia e a eficiência nipônica, pelo menos com dignidade. Em algumas do Nordeste, inclusive, flagrantemente menos preparadas, a tarefa é ainda mais hercúlea.
Contudo, a minha convicção pessoal é a de que temos todas as condições operacionais de cumprir os prazos estabelecidos pela FIFA. Além disso, claro que na hora H entra o jeitinho brasileiro. E não é nada pejorativo, amigo leitor: é uma habilidade igual a jogar bola. Fazer o quê?
O que desejo discutir não é se os titãs dos gramados virão ou não mostrar o que sabem, dentro em pouco. Repito: por certo virão. Na verdade, para além do patriotismo que me invade assim que a “canarinha” entra em campo, interessa-me saber o quantum de investimentos que se destinará à infraestrutura. Pois é justo isso que definirá se o evento marcará, indelével e positivamente, na população e na ambiência, a passagem do esporte mais popular do globo, em escala mundial, por estas plagas ou se será feita apenas uma “meia-sola” mal ajambrada.
Explico melhor. Se os trabalhos forem iniciados imediatamente, a todo vapor, e investidos cerca de cem bilhões de reais (cifra razoável, na opinião de especialistas) no aparelhamento dos estádios, melhoria dos meios de transportes, aí incluídos portos e aeroportos, segurança pública, construção de novos hotéis e afins, deduz-se que os efeitos positivos de um acontecimento de semelhante envergadura reverberarão por duas ou mais gerações avante.
Inversamente, se as obras forem iniciadas no limite da exequibilidade e se o volume de recursos for suficiente tão-só para remodelar precariamente as arenas esportivas, algo em torno de vinte bilhões de reais, pouco ou nada remanescerá da ocorrência como legado para o futuro, na manhã seguinte ao encerramento.
Parece-me, em suma, que, daqui a quatro anos, não estaremos meramente diante da “pátria de chuteiras”, como dizia Nelson Rodrigues. Mas de uma chance única de mostrar ao mundo que o Brasil abandonou a cultura da improvisação e do imediatismo.
A minha convicção pessoal é a de que temos todas as condições operacionais de cumprir os prazos estabelecidos pela FIFA
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21/06/2010 às 17:27
A diversidade que nos torna únicos e especiais!
Você já parou para pensar nas impressões digitais?
É interessante como apesar de todos fazermos parte da mesma espécie, cada da um de nós possui uma impressão digital diferente do outro. Até os gêmeos univitelinos tem digitais diferentes, por isso, somos diversos desde a nossa constituição humana.
Percebemos essa diversidade entre as pessoas quando olhamos ao nosso redor, pois, as diferenças estão presentes em todos os seres vivos à medida que nossas necessidades, desejos, aparências, religião, cor, dentre tantas outras características nos tornam únicos. Isso ocorre inclusive com outras espécies vivas, como os animais ou as plantas.
Considerando a perspectiva da biofísica americana Donella Meadows (1895-1983), se a humanidade fosse reduzida a uma comunidade de apenas 100 pessoas, seriamos 61 asiáticos, 12 europeus, 8 norte-americanos, 5 sul-americanos e caribenhos, 13 africanos e 01 da Oceania. Dessa forma, apesar de serem todos humanos, pertencem a países e culturas diferentes, considerando ainda as diferenças de cada indivíduo, independente da nação da qual faz parte.
Somos diferentes quando pensamos, quando agimos, quando sentimos e quando fazemos as escolhas que consideramos importantes para as nossas vidas. Dessa forma, quando acreditamos que todo mundo é igual, descaracterizamos as particularidades de cada um e as limitações que tiveram ao longo do tempo, sejam essas físicas, psicológicas ou sociais.
Entretanto apesar de conhecer as características que diferem cada um de nós, de uma forma ou de outra a segregação está presente na cultura da sociedade. Isso se reflete na produção de bens e/ou na prestação de serviços, que são dirigidos a públicos específicos, sendo o mercado cada vez mais segmentado de acordo com as características de cada pessoa.
Como exemplo disso, vemos as empresas de cosméticos que produzem de acordo com as características físicas de cada indivíduo, ou ainda as agências de turismos, que oferecem roteiros exclusivos para grupos específicos. Essa tendência nos faz pensar como diante de um mercado tão “antenado” com a diversidade, ainda encontramos pessoas com deficiência que tem dificuldades de ir ao shopping, ou ainda empresas que selecionam seus funcionários a partir de características como idade, gênero, aparência ou cor da pele.
Essas disparidades são ainda mais fortes se consideramos alguns públicos historicamente excluídos. Só para se ter uma idéia, segundo pesquisa coordenada pelo economista Ademir Figueiredo, do DIEESE, divulgada no site dessa entidade, a grande maioria dos negros está nos setores de atividades com maior jornada de trabalho, como emprego doméstico 60,8% ou ainda exercendo trabalhos com uso mais intensivo da força física, a exemplo da construção civil 59,5%. Além disso, são a maioria dos trabalhadores sem carteira assinada, formando na maior parte dos casos a base das pirâmides organizacionais.
Nesse contexto, empresas socialmente responsáveis devem assumir uma postura pró-ativa em relação à diversidade, tendo em vista que os desafios da sustentabilidade são colocados para toda a sociedade, independente das diferenças individuais.
É importante que os lideres empresariais entendam a diversidade como um aspecto positivo para o desenvolvimento empresarial, tendo em vista que equipes múltiplas representam riqueza de sugestões e idéias, pois, que cada pessoa tem uma percepção diferente que é diretamente influenciada por suas características individuais. Além disso, é imprescindível perceber que os consumidores também são diversos e merecem ser respeitados.
Dessa forma, internalizar a idéia de que todos são iguais sem distinção, nos descaracteriza e não nos permite ver o outro na sua totalidade, resultando na aceitação de padrões impostos como normais pela sociedade. Por isso precisamos pensar se diante de uma população mundial de mais de 6 bilhões de pessoas, os padrões dominantes impostos pela sociedade que apresentam zero defeito, são o ideais para caracterizar a diversidade de características da espécie humana.
As empresas têm um papel fundamental nesse sentido, tendo em vista que são formadoras de opiniões e de novos padrões na sociedade. Dessa forma novos cenários devem ser considerados através de programas específicos de valorização da diversidade que respeitem as diferenças, tirando proveito delas para um ambiente de trabalho saudável e sustentável. O resultado dessa postura será uma soma cada vez maior de profissionais e empresas satisfeitas e contratações que além de beneficiar a empresa proporcionaram benefícios sociais incontestáveis.
A diversidade é uma característica da vida no planeta e está a nossa volta em todos os ambientes dos quais fazemos parte, por isso, não devemos nos considerar iguais e sumir com as diferenças como se elas não existissem. Basta olhar a sua mão e a mão do outro para perceber que cada ser humano é único, pois, a diversidade é o que caracteriza a humanidade.
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14/06/2010 às 17:57
Determinação sim, pressa não
Há tempos que o mercado imobiliário não contava com astral tão favorável. E o bom é que por todos os lados - oferta, crédito e demanda - a impressão geral é de que há sustentabilidade na onda positiva. Ou seja, os empresários estão lançando, os donos do dinheiro emprestando e os consumidores comprando. Há combinação mais eficiente?
Nós, do mercado, torcemos para que o cenário se mantenha, com a convicção de quem contribuiu decisivamente para tanto. Demais, há uma tranquilidade jurídica e econômica no ambiente negocial que permite, inclusive, arroubos de euforia aqui e ali, seja do consumidor, seja do construtor.
Entretanto, cauteloso por natureza, tenho restrições quanto à exacerbação dos ânimos, ainda que positivos, conquanto seja comum, nesta profissão, que isso ocorra independentemente da vontade dos agentes. Com efeito, ninguém, incluso este articulista, está imune à emoção de comprar (ou vender) o objeto do desejo de todo pai de família.
Porém, justo por causa do açodamento derivado de semelhante alegria, peço licença ao prezado leitor, sobretudo ao potencial adquirente de imóvel, para fazer três singelos alertas, lembrando que, em qualquer negócio, o maior princípio, o que deve preponderar sobre todos, é o da boa fé. Vejamos.
Primeiro: a operação imobiliária é complexa por excelência. Não há chance de se ter um lançamento dentro da legalidade se o empresário não conseguir, no mínimo, registrar a incorporação no cartório de imóveis, o que pressupõe pacificadas etapas anteriores, como alvará de construção e propriedade do terreno. A chamada Lei dos Condomínios e das Incorporações é cristalina: a comercialização de unidades em construção é proibida sem esse requisito seminal. Consome preciosos dias, às vezes meses do processo. Mas é imperativo: solicite a respectiva certidão como princípio de conversa.
Segundo: em João Pessoa, esse mercado provinciano no qual todos se conhecem, a tradição é uma credencial de peso. Isso não quer dizer que novas empresas não possam ser boas. Tampouco que uma antiga esteja livre de problemas. Nada disso. No entanto, as que têm mais tempo de atividade possuem essa vantagem comparativa inegável, que precisa ser contabilizada. Portanto, peça ao corretor para, na assinatura do contrato, apertar a mão do construtor.
Terceiro: não compre nada “no escuro”, sem visitar fisicamente (não virtualmente) o terreno ou a obra, ver os projetos, identificar as vagas de garagem e conhecer as especificações técnicas do empreendimento. Não se restrinja ao material publicitário. Tire as dúvidas, reflita, escute familiares, antes de consolidar o negócio.
Enfim, compre tranquilo, com determinação, todavia, sem pressa. Não se constranja em valorizar seu suado dinheiro, obtendo as informações que julgar pertinentes sobre o investimento que pretende fazer. O construtor responsável saberá respeitá-lo, dando-lhe o tempo necessário para que tome a decisão certa. Fique certo de que uma transação feita em bases conscientes é boa para os três: comprador, vendedor e mercado. E é isso que querem os construtores afiliados ao Sinduscon/JP..
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07/06/2010 às 10:17
Um professor chamado futuro
Um dos meus mestres ginasiais, cujo nome - já se vão três longas décadas – escapa-me neste instante, dizia, em resposta à algaravia da classe depois de aplicar uma dúzia de tarefas para o feriado, cioso do seu papel de educador: “Senhores, tempo é uma questão de preferência; dediquem-se primeiro ao que lhes dará resultados, que fará de vocês cidadãos. Deixem o resto para depois.”
Eu tenho usado aquilo minha vida inteira, aliás, obsessivamente. E não me arrependo. Muito pelo contrário, ao encontrar na Academia, mais tarde, o italiano Pareto, entendi melhor seu postulado graças à austeridade do outro mestre. Na verdade, como concluiu o pragmático padeiro mediterrâneo, há vinte por cento dos nossos deveres que, de tão basilares, requerem oitenta por cento da nossa permanente atenção. Tudo o mais vem por gravidade.
Não é que a vida deva ser apenas de renúncias, como quer “O Avarento” de Molière. É que justamente a dedicação a essa vintena estruturante - não necessariamente pecuniária; antes, uma espécie de pedra filosofal – nos permitirá desfrutar do futebol mais tarde. Fazer o contrário é boicotar-se; é trabalhar para que nada aconteça, ou, na melhor hipótese, que tudo aconteça fora de tempo, o que é a mesmíssima coisa. Cabe a cada um, então, definir o que significa esse quantum primordial para si, dentro da sua lista de projetos. Para Ronaldinho, por exemplo, a bola é prioridade.
Dito isso de modo geral, permita-me o leitor a propositura de uma reflexão particular sobre o tempo que o Brasil (hábito mimetizado, com agravo, na Paraíba) tem dedicado à temática político-partidária, deixando de lado ações genuinamente relevantes e desperdiçando preciosas energias. Não que isso não faça parte do processo democrático; contudo, para o trabalhador, o que é mais urgente? Saber das novas (velhas) diatribes aprontadas por esses eternos infiéis, os congressistas, ou discutir uma maneira de tirar nossos meninos dos semáforos e colocá-los na escola? O que é mais produtivo para a população? Acompanhar movimentos erráticos de candidaturas extemporâneas, lançadas (e negadas) aos quatro ventos por gestores cada vez menos gestores e cada vez mais políticos, ou assistir às lideranças aglutinando-se em torno de um projeto de Estado, o Estado que queremos daqui a dez, vinte, trinta anos?
Minha conclusão é a de que se não renunciarmos o quanto antes à diversão proporcionada por esse jogo sem graça e, pior, sem vencedores, e gastarmos todo o tempo disponível na execução das nossas tarefas básicas atrasadas, levaremos um violento puxão de orelhas de um nada leniente professor chamado futuro, legando aos nossos filhos o porvir sombrio dos alunos que jamais amadureceram.
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31/05/2010 às 09:38
Maior procura pela orla
Irenaldo Quintans ponderou que todos os números obtidos através do levantamento do Sinduscon representam uma amostragem e nunca valores absolutos. É importante considerar que temos pesquisas por amostragem e não senso. Mas com essas pesquisas podemos ter noção dos próximos investimentos. Percebemos que a procura pelos apartamentos mais próximos a orla continua, em bairros como Cabo Branco, Manaíra e Tambaú, mas existe uma tendência de investimento nos bairros. Grandes construtoras estão com empreendimentos em bairros como Miramar, Expedicionários e Jardim Luna. Em todos os bairros de João Pessoa existem prédios em construção. E isso é bom para quem? Para o consumidor, que passa a ter opções , lembrou o empresário.
O financiamento bancário no setor da construção civil foi um dos principais responsáveis pelo significativo desenvolvimento econômico. Segundo Irenaldo, em 2000, a aplicação no mercado imobiliário representava somente 1% do PIB nacional e hoje representa mais de 5%. Para se ter uma idéia, o número de construtoras dobrou nos últimos quatro anos. Hoje temos mais de 200 empresas que a cada dia melhoram seus produtos e serviços.
Além do financiamento bancário, outro grande trunfo dos construtores é que as famílias estão buscando cada vez mais conforto, segurança e qualidade de vida. A possibilidade de desfrutar de área de lazer com piscina, academia de ginástica, playground, garagem, segurança 24 horas e ainda dividir a conta, tem se mostrado sedutora e viável mesmo para os paraibanos que ganham em média três salários mínimos. Os financiamentos estão muito acessíveis, podem ser feitos em até 30 anos , lembrou Irenaldo.
Como as cidades estão crescendo, os terrenos estão ficando cada vez mais escassos e caros. Desta forma, fica inviável para uma construtora comprar um lote de terreno para disponibilizar poucas casas no mercado. Daí a necessidade da construção de várias casas num só terreno: os tão procurados apartamentos. O aumento da procura deste tipo de imóvel também tem a ver com um anseio pessoal dos compradores: as pessoas gostam de ver a cidade do alto. Outro fator que colabora com a aquisição da moradia compartilhada é que a conta dos equipamentos de segurança e lazer pode ser dividida.
Mais de 400 construtoras atuam hoje na Paraíba e, de acordo com o Sinduscon, várias outras estão interessadas em investir no mercado. A capital ainda é o local mais procurado, pela vantagem de ser localizada no litoral. Além da praia, João Pessoa possui o status de uma das cidades mais verdes do país e ainda abriga monumentos históricos de valor incalculável. Em qualquer lugar que se decida verticalizar em João Pessoa dá certo. A cidade é muito expressiva em suas belezas naturais e históricas , argumentou.
As construtoras reconhecem que o mercado está crescendo e apostam em tecnologia para baratear os imóveis sem perder a qualidade. Com as inovações tecnológicas dos projetos, das consultorias, dos equipamentos e dos materiais usados atualmente, temos um produto final de melhor qualidade sendo vendido pelos preços de mercado.
O bairro do Catolé, em Campina Grande, concentra 70% dos imóveis e a tendência que a verticalização no bairro continue em franca expansão. Em Patos, Sousa, Cajazeiras, Guarabira, Santa Rita, Bayeux, Monteiro e várias outras cidades do interior, o crescimento vertical tem sido expressivo e o Sinduscon acredita que os investimentos devem aumentar consideravelmente nos próximos anos. Isso é muito bom para a Paraíba, pois a concentração de investimentos no setor imobiliário somente na capital não é bom para o Estado. É importante que a verticalização se estabeleça o mais rápido possível no interior , argumentou Irenaldo.
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12/02/2010 às 15:50
Arte inalcançável
Estudante, eu adorava Desenho. Cursei a disciplina em várias modalidades. Tinha (e tenho) fascinação mesmo pelas viagens que o lápis e o papel são capazes de fazer juntos.
Na verdade, leitor amigo, permita-me uma confidência: até hoje quero entender o porquê de não ter enveredado por ali. Não rabisco tão mal. Com alguma boa vontade, sai um arremedo de perfil, uma paródia de mão. Contudo, quem sabe tendo escolhido outra seara fui poupado de uma frustração maior, não é? Vejamos.
Num desses ensejos, havia um colega - óculos grossos, muita acne -, desenhista de mão cheia, cujo principal divertimento consistia em detalhar os achados de Leonardo da Vinci ao fim de cada aula. E dava mais quórum do que esta. Sabia tudo sobre cada ensaio: a data, os motivos, a técnica e as equações que subsidiavam cada gravura. O “Uomo Vitruviano”, as mortíferas máquinas de guerra, o helicóptero, o escafandro, o desvio do rio Arno e mais uma porção dos cerca de quatro mil manuscritos, além da Gioconda, claro, que a efervescência intelectual do pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, astrônomo, anatomista, músico, geólogo, escritor, inventor e (ufa!) cientista, nascido em Vinci, Itália, em 1452, produziu desfilavam ante nossos olhos atônitos. Nunca soube qual fonte o abastecia. O fato é que certo Dan Brown, eu e outros do Priorado ficamos com o renascentista instalado na cabeça.
Pois bem. Se de fato “Fortuna Imperatrix Mundi”, como quer Carmina Burana, ela, a sorte, trinta e poucos anos depois me pousou em Milão, sítio paradoxalmente do Duomo, uma das mais belas obras dos “Filhos de Salomão”, e da Galeria Vittorio Emanuele II, templo de “all-ultimo grido” da moda universal. O clássico e o moderno em perfeita sintonia!
E lá revivi Leonardo de uma maneira intensa, deparando-me, perplexo, com algo que tocou fundo o meu coração, como um punhal cujo fio quente, sob um frio glacial, cauterizasse todo ceticismo em relação à humanidade de Cristo e seus apóstolos. Falo de um grande painel sobre reboco, executado entre 1494 e 1497, chamado “Última Ceia”, guardado a sete chaves no Cenáculo Vinciano, um colegiado dedicado a conservar a obra do gênio.
Gastaria resmas para demonstrar, sem o conseguir, o que senti ao apreciar o dito afresco. O realismo das expressões, a proporcionalidade, a perspectiva, a anatomia, o humano, repito, que permeia toda a pintura... Tudo é deveras comovente.
Fique, portanto, com a face serena e tristonha de Jesus e a careta angustiada de Judas, emolduradas, respectivamente, pela iridescência e pelo “sfumato”, técnicas cujo domínio ainda pertence a Leonardo. E espero que você, leitor, entenda, afinal, porque me contenta ser apenas um humilde contemplador da arte inalcançável.
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19/01/2010 às 07:11
A resposta é educação
Na nossa primeira casa na capital, perdi a conta de quantas noites, em favor de hóspedes, molecote, fui desalojado da aconchegante cama de campanha, cuja lona, rente ao chão do quarto, reverberava o frescor do piso, e instalado a contragosto numa rede, colada à do irmão do meio, na sufocante sala de visitas. Aliás, tratava-se de uma invasão: a sala era território tombado, vez que o mano, àquela altura militar, fazia dela, à noite, sua “garçonnière”, com direito a gandolas, cuecas e coturnos espalhados, tudo respaldado pelas ruidosas divisas do general que incorporava quando voltava do quartel.
E antes que o indignado leitor cogite ser a malvadeza punição por uma traquinagem medonha, ou mesmo a habitual prepotência adulta em face da fragilidade infantil, explico melhor. Na verdade, tive o privilégio de ter sido criado num ambiente livre de qualquer tipo de agressão. O pai, doce como uma cocada, balançava a cabeça numa única direção: a de um sim tão mais carinhoso quanto menos permissivo, visto que o efeito muita vez era contrário - deixava-se de fazer o malfeito por falta de não. Ora, o infrator queria polêmica. Não havendo, prevalecia a consciência e a aquiescência virava negativa. A mãe... Ah! Esta merece um livro só dela. Sobre concessões, pedidos, puxões de orelhas, cocorotes, angústias e, por último, mas não menos importante, um imenso afeto, que nos preenchia (e preenche) a todos.
Neste ponto, o estimado leitor há de se perguntar: se não fora maldade nem corretivo, por que diabos pais sereníssimos desaninhavam o caçula com semelhante impiedade? E a resposta é educação. Sim, educação. Não educação familiar, mas a possibilidade de permitir que alguém, parente ou aderente, jovem ou maduro, querendo, tivesse acesso à candeia preciosa do conhecimento. Mormente quando, como o pai, se foi preterido. Pode-se culpar o avô? Penso que não. À época, com o sustento do clã extraído do chão pedregoso da herdade, eram precisos três arando, semeando, plantando, irrigando, colhendo, ordenhando, domando, ferrando e vacinando diuturnamente, para um tornar-se doutor. Assim ditava o código. O “kanum”, de Ismail Kadaré. O pai era o ás da trinca.
Afortunadamente, a frustração transformou esse homem num ilustrado de poucas letras, PhD sem jamais ter defendido uma tese. Obcecado pela instrução, desbastou o nobre caminho para inúmeros aparentados ostentarem, hoje, vistosos anéis de formatura, os quais, por sinal, ele insistia em ofertar. Eu, sem seu gênio, vivo às turras com o desejo de fazer o mesmo. E não necessito mais deixar minha cama. Todavia, egoísmo forte e vontade fraca têm mirrado meus esforços. Desculpa-me, pai.
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14/01/2010 às 19:10
Tempo de refletir
Junto com a minha gratidão pela sua companhia nestas mal traçadas linhas, desejo-lhe, fiel leitor, que, em meio às gostosas confraternizações típicas desta época, sobre um tempinho para você. Um tempinho sabático, digamos. Mas, nada de exageros. Sei que você tem na cabeça o sabático dos hebreus antigos: o último ano de cada período de sete ao longo do qual era interditado cultivar as terras e perseguir devedores. Não é a esse que me refiro.
Sejamos pragmáticos: oxalá você dispusesse de trezentos e sessenta e cinco dias, assim, à toa! Tampouco deve ter o censurável costume de fatiar inadimplentes, como o fazia Shylock, o agiota de Veneza. Você não é disso. Demais, citadino por excelência, decerto cultiva sentimentos, em vez do solo propriamente dito – conquanto sejam os primeiros não raro mais difíceis do que o segundo. Então, combinemos tal vacância como um momento no qual se olha para o interior de si, por sobre si e para além de si, no dizer de certo escritor. Um diálogo íntimo, tipo: “O que tem feito de bom ultimamente?”. “Sim, entendo... Mas tem olhado somente para o próprio umbigo?”. E por aí vai.
Na verdade, caríssimo, brincadeiras à parte, desejo mesmo é que todos, daqui ou dacolá, leitores ou não deste irrelevante espaço, tenham direito a semelhante pausa no réveillon. Uma folga, que seja. É sério: está nas Escrituras! Por exemplo, gozou-a o Pai, após seis dias de intensa labuta. E o Filho no terceiro, ao cabo de grande sofrimento. E como frutificaram ambas para a humanidade... Ocorre que tais paradas estão progressivamente escassas nessa sociedade sem paz. Ora, em sendo a escassez definidora dos preços, como se sabe, as interrupções, sobretudo as reflexivas, valem cada vez mais. No fim das contas, os pobres não as fazem porque não dispõem desta preciosa mercadoria: o tempo. Também não as praticam os ricos porque, afinal, “time is money”. Terminamos correndo como vendedores de shoppings no Natal (coitados!), frenéticos. Cada minuto “perdido” significa uma gota de vida se esvaindo. É a internet, é a TV, é o compromisso, é o trânsito... Para onde vamos? À busca do quê? Numa bela tarde, dessas em que as folhas flutuam ao vento, a gente percebe que o outono - o nosso outono - bateu à porta. Os cabelos pretos perderam dos brancos, as extremidades cederam à preguiça, e um tico de nada daqueles sonhos acalentados quando a vida era um oceano de possibilidades concretizou-se. Sem falar nos nossos que se foram prematuramente.
Mas, espere. Antes de largar essa lengalenga enfadonha, permita-me ser pragmático novamente. Numa coisa estamos de acordo: não dá para dispensar o champanhe do Ano Novo; contudo, entre um gole e outro, em obsequioso silêncio, simplesmente sentemo-nos à beira-mar e pensemos um pouco. Nada mais que isto: um tempinho – um tempinho nada perdido cujos reflexos poderão provocar ajustes importantes na nossa vida. E na de quem queremos bem.