Alternativa Nordeste


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Dr. Fernando Lianza Dias
flianzadias@uol.com.br
CRM 2547/PB, Cardiologia Clínica, Cardiogeriatria, Hipertensão Arterial, Avaliação de Risco Cirúrgico, Medicina Intensiva, Depressão e Síndrome do Pânico Eletrocardiografia Convencional & Computadorizada, Monitoração Cardíaca em Sala de Cirurgia, Internato, Residência Médica e especialização em Cardiologia no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo Serviço do Professor Euryclides Zerbini, Pós-Graduação em Cardiologia no INCOR – SP, Serviço do Professor Luiz Decourt, Pós-Graduação em Cardiologia na PUC – RJ, Serviço do Professor Carvalho de Azevedo, Título de Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e pelo Conselho Federal de Medicina, Médico Preceptor de Cardiologia do Hospital Universitário da UFPB, Médico Chefe do CTI do Prontocor - PB de 1984 a 1995, Consultor Científico do InCor - SP na Paraíba de 1998 a 2006, Médico Colaborador da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da USP 2007/2008 Presidente da Sociedade Paraibana de Cardiologia Biênio 93 / 95, Presidente da Sociedade Norte-Nordeste de Cardiologia Biênio 96 / 98, Membro de Sociedades de Cardiologia, no Âmbito Regional, Nacional e Internacional, Médico Chefe do Serviço de Risco Operatório da Divisão de Clínica Cirúrgica do Hospital Universitário da UFPB, Diretor Geral do Hospital Prontocor, Vice-Presidente da Associação Médica da Paraíba - Biênio 95 / 96, Membro do Comitê de Prevenção das Doenças Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 1998 a 1999, Representante da SPC junto ao Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2001 a 2003, Membro Titular do Conselho Fiscal da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Biênio 98/99, Várias Publicações e Trabalhos em Revistas Médicas e em Congressos no âmbito Regional e Nacional, Homenagens e Condecorações de Entidades Científicas e Escolas Médicas da Região Norte-Nordeste e do Brasil, Diploma e Medalha Epitácio Pessoa, outorgada pela Assembléia Legislativa do Estado em 12 de agosto de 2000, Título de Cidadão Benemérito de João Pessoa outorgado pela Câmara Municipal de nossa cidade, em 13 de agosto de 2004, Diploma do Mérito Cultural José Américo de Almeida outorgado pelo Governo do Estado e pela Fundação Casa de José Américo em 18 de abril de 2006, Diploma de Honra ao Mérito outorgado pela Câmara Municipal de João Pessoa, em 17 de Abril de 2008.


  • 09/08/2010 às 08:19

    Um Elo a Ser Preservado

    Tratar o doente é mais do que conhecer a doença.
          Diante de uma doença qualquer, o paciente reage não só no plano intelectual, mas também no emocional, procurando estabelecer hipóteses e teorias sobre aquilo que ocorre. Surge então um estado emocional em estreita relação com o que sentiu e o que pensou. Por existir uma grande relação entre mente, emoção e coração, qualquer alteração mental associada a dor ou ao prazer se estende ao coração. 

          O coração é o foco freqüente de queixas de fundo emocional, não só por causa de sua importância psicológica e simbólica. Órgão do ser humano mais carregado de simbologia – templo das emoções – o coração é figurado como centro da vida e da morte, adquirindo o poder de transformar o comportamento das pessoas. Por causa das fantasias criadas pelo mito do coração e pelas alterações causadas pela própria doença, torna-se – necessária especialmente em cardiologia  uma abordagem que vai além do coração orgânico; freqüentemente o paciente apresenta insegurança e certa instabilidade emocional. Por este e por outros motivos, é de vital importância que o cardiologista e paciente tenham uma relação de confiabilidade.

          Paradoxalmente, a evolução tecnológica representa obstáculo a uma relação médico-paciente mais próxima. Embora tenha trazido grandes benefícios ao diagnóstico e ao tratamento das doenças cardíacas, a excessiva aplicação de sofisticados equipamentos, ou, seja, tecnologia de ponta resulta cada vez mais na desconsideração no contexto humano social, assim como da singularidade de cada caso. A particularidade de cada entidade nosológica não pode ser relegada nem no diagnóstico, nem no tratamento, uma vez que os aspectos psicofísicos que envolvem o adoecer de um paciente, apresentam características próprias desse paciente, diferenciando-se de um outro com patologia idêntica.

          Embora não se justifique totalmente, este conflito que vivenciamos no dia-a-dia de nossos consultórios, no que se refere a sublime relação médico-paciente, admitimos em parte a atual formação médica nos dias de hoje, que continua privilegiando o lado organicista e tecnicista, em detrimento de uma formação de caráter psicossomático. Do que foi exposto, podemos concluir, embora o avanço tecnológico deva ser utilizado, as máquinas jamais poderão aquilatar e compreender o sofrimento do paciente, muito menos sanar seus temores e preocupações imprescrutáveis, no sentido mais amplo da palavra.

          É imprescindível pois, a existência do elo harmonioso, sentimental, humano, científico e profissional desse relacionamento imensuravelmente divino, consolidando uma situação de empatia, onde por um lado, o paciente possa expor suas dúvidas, temores e angústias, por outro lado, o médico deve compreender o que realmente está se passando com o enfermo em nível físico e emocional, uma vez que todo ser humano é produto de um complexo que envolve o biológico, o humano e o social.

     

  • 02/08/2010 às 09:29

    Relação Médico Paciente

    A relação médico - paciente tem poderes, tem magia, tem divindade, formando urna forte corrente de interdependência, cuja a perda de um elo, acarretará seqüelas irreparáveis no bojo de seu contexto.

          A medicina sempre se caracterizou por ser uma prática que exigia uma relação de submissão: de um lado, o todo poderoso, o detentor do saber e de todos os recursos - o médico - e do outro, pequenino, humilde, carente de meios - o paciente. As denominações dadas ao paciente já o colocam em situação de inferioridade: enfermo, o que perdeu a firmeza; doente, o que sente dor; molesto o que carrega um peso e paciente, aquele que sofre-a ação - Logo surgindo-desta forma, a relação médico -
    cliente (veja que estamos empregando um termo mais ameno, menos depreciador), teria que se desenvolver no sentido de o inseguro procurar o seguro, este capaz de aliviar a dor e o sofrimento.

          
    Estes dois elementos, a dor e o sofrimento, são realidades plenas dentro do ser humano e a busca de vê-los mitigados, tem sido urna constante através dos tempos. Poderia o ser humano em termos de idéias ter recursos inerentes para agir em seu benefício e por conta própria? Achamos que poucos poderiam fazê-lo e só conseguiriam em determinadas situações e patologias. Isto porque o conhecimento científico, devido ao seu desenvolvimento e complexidade, necessita para sua compreensão e perfeita atuação de um estudo e uma aplicação prática continuados. 

          A prática médica encerra uma singular contradição: o médico, para atuar eficazmente, exige a submissão do enfermo a si; mas, sua ação, ao vislumbrar a cura, dissolve seu próprio domínio. Alienar para desalienar . Submeter-se para curar. Estas são as facetas apaíxonantes deste tema, sem jamais esquecer, de que a empatia entre os dois é algo insubstituível ,
    inquebrantável para o êxito terapêutico. 

          E finalmente, mergulhando nas profundezas desse assunto fascinante, vamos juntos refleti-lo ,colocando-o nos meandros de um pensamento lapidar do grande Wiliiam Osler, que vem se adaptar a temática contextual das tinhas aqui escritas: ”Da mesma forma como não existem dois rostos iguais, não existem dois cas semelhantes em todos os aspectos e, infelizmente, não é somente a própria doença
    que assim varia, mas os próprios indivíduos tem peculiaridades que modificam sua ação.” 


  • 13/07/2010 às 10:13

    Atividade física e o coração

    Na prática clínica diária, procuramos sempre de forma enfática, alertar aos clientes que vão ao nosso consultório, do quanto é importante a prática de exercícios físicos como fator preponderante para evitar as doenças cardiovasculares e na melhora e regressão daqueles que já são portadores de doenças, chegando a afirmar com muita tranqüilidade, experiência e convicção que a atividade física representa os pilares de sustentação para combater e tratar da forma mais positiva as surpresas do coração.

    Vários estudos têm demonstrado que o sedentarismo está associado com a maior incidência de doença arterial coronária (DAC) que leva ao temível infarto agudo do miocárdio (IAM), inversamente, a prática regular de exercícios físicos é extremamente útil na prevenção primária e secundária dessa grave e imprevisível doença, assertiva que ratifica o preâmbulo acima descrito. Os mecanismos pelos quais a prática física influi no combate a DAC não estão totalmente elucidados.
     

    Sabe-se que a ação benéfica da atividade física pode depender da melhora da capacidade cardiorespiratória e da atuação sobre vários fatores de risco importantes para o desencadeamento da aterosclerose coronária, podendo-se citar o perfil lipídico (aumento do colesterol), a hipertensão arterial, diabetes, obesidade, como também o estresse emocional. Confrontando-se o exposto, estaríamos atuando de forma benéfica e elucidativa no tema mais atual do momento: a síndrome metabólica.

    Porém tem sido demonstrado que a intensidade de exercícios capaz de melhorar o perfil metabólico é menor do que a necessária para levar ao incremento importante da capacidade cardiorespiratória. Adicionalmente também existem controvérsias quanto a quantidade de exercício recomendado para melhorar o perfil metabólico e conseqüentemente reduzir o risco de doenças cardíacas, particularmente as provocadas por isquemia do miocárdio.


     

    Tomando como base o nosso posicionamento pessoal e tópicos do consenso universal, recomendamos caminhadas diárias de manhã cedo, a tardinha ou a noite compreendendo um período de uma hora, salientando-se que o recomendado são caminhadas com passos apressados e nunca corrida sem critérios e orientação. Essa prática realizada correta e diariamente trazem os mais variados benefícios, como por exemplo uma boa distribuição da gordura corpórea, melhora da resistência arterial periférica, o mesmo acontecendo com a sensibilidade à insulina e ao perfil lipoprotéico, como já citamos no início. Essa forma de exercício é fácil prescrição a médio e longo prazo, pois o tempo vai tornar evidente os benefícios alcançados, plenamente palpável e visível com o bem estar alcançado pelos que aceitarem essa prática redundantemente saudável.

    Se os leitores nos indagassem: e as crianças, o que devemos fazer, como aconselhar? Podemos responder respaldado nos últimos estudos e pesquisas na área cardiológica no Brasil e no mundo, dando ênfase as muitas reuniões que trataram desse assunto com importantes órgãos da cardiologia mundial, citando-se: o American Heart Association e o American College of Cardiology quando se discutiram a prevenção como ponto crucial da especialidade cardiológica.


     

    Então baseado no que já foi dito, não temos outra resposta senão: a prevenção deve iniciar nos primeiros meses de vida. É um paradigma lógico e verdadeiro para os que exercem a especialidade em sintonia com os novos tempos, o conhecimento desse fato tranqüiliza e esclarece aos pais repletos de dúvidas.

    Desde os primeiros anos de vida deve-se iniciar um programa de mudanças no estilo de vida, que compreende iniciar uma dieta balanceada pobre em gordura animal, frituras e no tempo adequado restringir derivados do leite e, claro, iniciar os exercícios físicos em prática de esporte dos mais saudáveis, evidentemente acompanhando a fase de crescimento da criança e gradativamente orientar os esportes recomendados como eficientes, descontraídos e naturalmente salutares, exemplificando: natação futebol, bicicleta, observando uma cronometragem normal, havendo dúvidas, consultar seu cardiologista no sentido de uma orientação mais fundamentada que varia de uma criança para outra.


     

    O importante é deixar claro que a primeira idade já foi incluída no contexto da prática física como prevenção precoce dos acidentes cardiovasculares. Finalmente queremos deixar uma mensagem lúcida e consciente, fruto de uma experiência de mais de vinte anos de militância na especialidade cardiológica. A prática de exercícios físicos constitui-se numa arma das mais poderosas para evitar e tratar os imprevisíveis e indesejados ataques do coração, diminuindo conseqüentemente a morbi-mortalidade da população, levando a longevidade com boa qualidade de vida.

     

  • 04/07/2010 às 09:35

    Dez mandamentos para prevenir o infarto do miocárdio (ataque cardíaco)

    1- Pare de fumar. Se você é fumante , parar de fumar diminui muito o  risco de ocorrer um infarto do miocárdio ( ataque cardíaco ). Este risco diminui 50% em dois anos , podendo tornar-se  igual ao de alguém que nunca fumou em 7 a 12 anos.

    2- Faça exercícios físcos regularmente.Recomenda-se a realização de exercícios físicos aeróbicos ( andar , correr , pedalar , dançar , nadar e fazer hidroginástica ) , pelo menos 3 vezes por semana  (  5 a 7 vezes para os indivíduos que precisam perder peso ) , por no mínimo 30 minutos ,  com uma intensidade moderada ( ao fazer o exercício você fica um pouco ofegante , mas consegue falar frases inteiras ) . As atividades físicas do dia-a-dia ( ex: caminhar por 15 minutos para ir ao trabalho e mais 15 minutos para voltar do trabalho ) , também trazem resultados positivos .

    3- Alimente-se de uma forma saudável.Procure  ingerir   um   quantidade de calorias   diárias , que    lhe   ajude a atingir um peso adequado .  O estudo  INTERHEART demonstrou que a ingesta diária de frutas , verduras e legumes, ajuda a prevenir  um infarto do miocárdio  . Limite a ingesta de sal em menos de  seis gramas ao dia ( cerca de seis colheres rasas de chá de sal , ou seja , 4 colheres rasas de chá de sal para o preparo dos alimentos  , mais  duas colheres de sal próprio dos alimentos ).  Evite os alimentos ricos em colesterol ( ingira menos de 300mg de colesterol ao dia ) , os quais são exclusivamente  de origem animal ( derivados do leite com alto teor de gordura , gordura aparente das carnes , gema dos ovos , pele das aves , miúdos , embutidos e certos  frutos do mar ) . Evite também as gorduras saturadas ( frituras )  e as gorduras trans ou hidrogenadas , as quais são encontradas em alguns produtos industrializados como molhos , sorvetes , bolos e certos biscoitos  . Procure ingerir peixe , principalmente os ricos em ácidos graxos omega 3 ( sardinha , truta , salmão  e bacalhau ) , pelo menos duas vezes por semana. Os fitoesteróis são substâncias antioxidantes de origem vegetal que podem ser encontradas em margarinas enriquecidas , que são uma ótima opção para substituir a manteiga ou as margarinas com gorduras hidrogenadas. Procure ingerir alimentos ricos em fibras  ( cereias  , frutas , verduras e legumes ). Derivados da soja , grão integrais , nozes , assim como outros alimentos , apresentam efeitos comprovadamente benéficos sobre as gorduras do sangue e a aterosclerose ( leia as páginas sobre alimentos funcionais ). 

    4- Procure ingerir bebidas alcoólicas moderadamente. A ingesta regular de bebidas alcoólicas , como o vinho tinto , não deve ser estimulada com o objetivo de prevenir um infarto do miocárdio  . Se você é homem  e costuma beber , procure restringir a ingesta de álcool  em 30 gramas de etanol por dia (700 ml de cerveja = 2 latas de 350 ml  ou 300 ml de vinho = 2 taças de 150 ml ou 100 ml de destilado = 3 doses de 30 ml) . Se você é mulher , essa ingesta deverá ser de 15 gramas de etanol , ou seja, 50% da quantidade permitida para homens. Lembre-se: o álcool é calórico , pode aumentar os níveis de açúcar , ácido úrico e triglicerídeos , além de  poder causar dependência física e psíquica ( alcoolismo ).

    5- Persiga o seu  peso ideal. Um índice de massa corporal ( IMC = peso dividido pela altura ao quadrado ) inferior a 25 kg/m2  e uma circunferência abdominal inferior a 94 cm nos homens e 80 cm nas mulheres , são as metas a serem obtidas  quando o assunto é peso e medidas. Para uma perda de peso , uma dieta hipocalórica e a prática diária  de exercícios físicos , são fundamentais. A utilização de medicamentos poderá ser útil. A cirurgia bariátrica pode ser indicada para casos selecionados .

    6- Não deixe de ir em consultas médicas periódicas.Consulte regularmente seu (s) médico (s) de confiança. Retorne ao consultório para as reavaliações clínicas dentro do tempo estipulado por seu médico. 

    7- Realize todos os exames complementares solicitados pelo seu médico.O resultado destes exames serão fundamentais para avaliação do seu quadro clínico e , conseqüentemente , para a definição de um plano de prevenção e tratamento adequado para você.              

    8 - Não deixe de usar  as suas medicações de uso contínuo. Para o combate dos fatores de risco para o infarto do miocárdio ( , como a hipertensão arterial , as dislipidemias , o diabete melito , a obesidade  , o  hábito de fumar , entre outros  , poderá ser necessária a utilização de medicamentos . A  maioria destas drogas serão de uso contínuo e indefinido. Use as medicações prescritas por seu médico regularmente. Não pare de usá-las  sem a sua permissão.Evite trocas no balcão das farmácias.

    9- Combata  o  estresse e a depressão. Se você está estressado  ou até depressivo   , procure o seu médico de confiança. Estas duas situações aumentam o seu risco de você sofrer de um infarto do miocárdio . Provavelmete será necessária a avaliação de um profissional especializado na área , como um psiquiatra ou psicólogo. Exercícos físicos , técnicas de relaxamento , psicoterapia e o uso de medicamentos , poderão ser necessários.

    10 - Dedique pelo menos um dia da semana totalmente voltado para você  e  o  convívio junto de  seus familiares. Permaneça a maior parte do tempo possível junto das pessoas que você ama. Procure viver em paz e harmonia com o mundo que está em sua volta .

  • 21/06/2010 às 17:12

    Um Elo a ser Preservado

     

    Tratar o doente é mais do que conhecer a doença.
    Diante de uma doença qualquer, o paciente reage não só no plano intelectual, mas também no emocional, procurando estabelecer hipóteses e teorias sobre aquilo que ocorre. Surge então um estado emocional em estreita relação com o que sentiu e o que pensou. Por existir uma grande relação entre mente, emoção e coração, qualquer alteração mental associada a dor ou ao prazer se estende ao coração. 

          O coração é o foco freqüente de queixas de fundo emocional, não só por causa de sua importância psicológica e simbólica. Órgão do ser humano mais carregado de simbologia – templo das emoções – o coração é figurado como centro da vida e da morte, adquirindo o poder de transformar o comportamento das pessoas. Por causa das fantasias criadas pelo mito do coração e pelas alterações causadas pela própria doença, torna-se – necessária especialmente em cardiologia  uma abordagem que vai além do coração orgânico; freqüentemente o paciente apresenta insegurança e certa instabilidade emocional. Por este e por outros motivos, é de vital importância que o cardiologista e paciente tenham uma relação de confiabilidade.

          Paradoxalmente, a evolução tecnológica representa obstáculo a uma relação médico-paciente mais próxima. Embora tenha trazido grandes benefícios ao diagnóstico e ao tratamento das doenças cardíacas, a excessiva aplicação de sofisticados equipamentos, ou, seja, tecnologia de ponta resulta cada vez mais na desconsideração no contexto humano social, assim como da singularidade de cada caso. A particularidade de cada entidade nosológica não pode ser relegada nem no diagnóstico, nem no tratamento, uma vez que os aspectos psicofísicos que envolvem o adoecer de um paciente, apresentam características próprias desse paciente, diferenciando-se de um outro com patologia idêntica.

          Embora não se justifique totalmente, este conflito que vivenciamos no dia-a-dia de nossos consultórios, no que se refere a sublime relação médico-paciente, admitimos em parte a atual formação médica nos dias de hoje, que continua privilegiando o lado organicista e tecnicista, em detrimento de uma formação de caráter psicossomático. Do que foi exposto, podemos concluir, embora o avanço tecnológico deva ser utilizado, as máquinas jamais poderão aquilatar e compreender o sofrimento do paciente, muito menos sanar seus temores e preocupações imprescrutáveis, no sentido mais amplo da palavra.

          É imprescindível pois, a existência do elo harmonioso, sentimental, humano, científico e profissional desse relacionamento imensuravelmente divino, consolidando uma situação de empatia, onde por um lado, o paciente possa expor suas dúvidas, temores e angústias, por outro lado, o médico deve compreender o que realmente está se passando com o enfermo em nível físico e emocional, uma vez que todo ser humano é produto de um complexo que envolve o biológico, o humano e o social.

  • 14/06/2010 às 18:01

    A Doença de Chagas

     

    Conheça a doença de Chagas
    Para saber do perigo
    Acompanhando esses versos
    Que você vai ler comigo
     
    A doença tem o nome
    De quem primeiro a viu
    Foi o Doutor Carlos Chagas
    Que esse mal descobriu
                               
     É doença é perigosa
     E pode até ser fatal
     Atinge muito o homem
     E também o animal
     
    Os animais atingidos
    São tatu, morcego e rato
    A cutia e o gambá
    O cão, o macaco e o gato
     
    O transmissor é um inseto
    Que vem picar o vivente
    Para sugar o seu sangue
    Deixando a pessoa doente
     
    Seu nome é Triatomíneo
    Mas também é conhecido
    Por Barbeiro e Bicudo
    E outros nomes tem tido
     
    De acordo com a região
    O Barbeiro é chamado
    De Procotó , de Chupão
    E Fincão é nome dado
     
    O Tripanosoma cruzi
    É o causador da doença
    Que embora bem pequeno
    Pode causar muita ofensa
     
    O pequeno parasita
    Sai nas fezes do Barbeiro
    Que ele elimina depois
    De picar alguém primeiro
     
    A doença tem começo
    Do jeito que eu vou dizer
    Preste atenção agora
    Que você vai entender
    O Barbeiro viveu sempre
    Em seu lugar que é de fato
    Nas locas de pedras, nos ninhos
    Com os animais lá no mato
     
    O homem então derrubou
    A mata para construir
    Tirou pedra, limpou mato
    Tangendo os bichos dali
     
    O inseto então saiu
    Procurando a residência
    Pois ele precisa de sangue
    Pra sua sobrevivência
     
    Entrou na casa do homem
    E procurou se esconder
    É nas brechas da parede
    Que ele vai se meter
     
    Também atrás de um quadro
    Ou um monte de rama
    No colchão, por trás de um móvel
    Ou escondido na cama
     
    Não guarde dentro de casa
    Mais nenhum feixe de lenha
    Na casca do pau se esconde
    E pode ser que ele venha
     
    E depois que chega a noite
    Quando o povo vai dormir
    Ele sai do esconderijo
    E já começa a agir
     
    Procura logo a pessoa
    Pra sua pele picar
    Para lhe sugar o sangue
    E dele se alimentar
     
    Depois de sugar o sangue
    O ferimento fica aberto
    O Barbeiro ali defeca
    Deixando as fezes por perto
     
    Se a pessoa coçar
    Onde ele deu a picada
    O parasita penetra
    É a porta de entrada
    Se o corpo está fraco
    E a doença não combate
    A doença é que vence
    E pode ser que mate
     
    No começo da doença
    Pode haver febre e fastio
    Crescem o fígado e o baço
    Dá moleza e arrepio
     
    Forma um caroço onde houve
    A picada do Barbeiro
    E se esta foi no rosto
    O olho incha ligeiro
     
    É o sinal de Romaña
    A inchação palpebral
    Qua a maioria do povo
    Não sabe que é desse mal
     
    Depois de anos passados
    É que surge a piora
    Se ataca o coração
    O doente sofre agora
     
    O coração fica grande
    Do jeito que nunca foi
    E por isso é conhecido
    Como Coração de Boi
     
    Fica o homem limitado
    Só mal-estar ele sente
    E o seu fraco coração
    Pode parar de repente
     
    Quando ataca o esôfago
    Ele fica dilatado
    E o cólon do intestino
    Também assim é afetado
     
    Aparece o engasgo
    Com tudo que ele come
    Sem poder se alimentar
    Ele padece de fome
     
    Quando ataca o intestino
    É grande a dilatação
    Ele fica constipado
    Sofrendo de privação
     
    Daí, à noite ele sai
    Para o homem picar
    Dele sugando o sangue
    Que é para se alimentar
     
    A casa que é de taipa
    E que não possui reboco
    Precisa ser rebocada
    Para tapar todo oco
     
    A casa que é rebocada
    Não pode oferecer
    Abrigo para o Barbeiro
    Para ele se esconder
     
    Reboque a sua casa
    E depois pinte com cal
    Para evitar o inseto
    Que transmite esse mal
     
    Se o homem é muito pobre
    Para usar esse sistema
    Existe um meio simples
    De resolver o problema
                               
    Pode rebocar a casa
    Com o esterco do gado
    Misturando com areia
    E no piso bem traçado
     
    O esterco é pra ser fresco
    E areia então se acha
    Com a mistura bem feita
    A parede nunca racha
     
    É uma parte de esterco
    Para duas de areia
    A quantidade de água
    A pessoa se baseia.
     
    Reboque sua parede
    Com essa massa bem feita
    A pessoa bem pensada
    Essa técnica ela aceita
     
    Essa massa na parede
    Ao secar não tem mau cheiro
    É fácil de fazer
    E não se gasta dinheiro
     
    O doente sofre muito
    É triste seu padecer
    Não há cura ao tratamento
    Ele sofre até morrer
     
    O melhor que a gente faz
    É evitar a doença
    O único meio eficaz
    É melhor que se convença
     
    Vamos ensinar agora
    O que se faz pra evitar
    Que o Barbeiro venha a casa
    E nela chegue a morar
     
    Cereais dentro de casa
    Não devem permanecer
    Eles servem de abrigo
    Pro Barbeiro se esconder
     
    As aves dentro de casa
    O ninho do animal
    Elas devem ser levadas
    Para o fundo do quintal
     
    Se houver algum chiqueiro
    Que animal sempre tem
    Afaste da sua casa
    Que é perigoso também
     
    Animal dentro de casa
    É chama para Barbeiro
    Que vem pra sugar o sangue
    De quem encontrar primeiro
     
    O Barbeiro suga o sangue
    De qualquer um animal
    E se este não encontra
    O homem é que se dá mal
     
    O cuidado com a limpeza
    Quer na casa ou no terreiro
    Tem como finalidade
    De evitar o Barbeiro
     
    Monturo de coisa velha
    Dentro de casa é perigo
    Vai encontrar o Barbeiro
    Nesse lugar um abrigo
     
    O agente da SUCAM
    Quando for lhe visitar
    Escute o que ele diz
    E o que vai ensinar
     
    Ele transmite a mensagem
    Pro Barbeiro combater
    Ensinando a todo mundo
    Como deve proceder
     
    E conte para seus amigos
    O que ele transmitir
    Pois esses ensinamentos
    A todos devem atingir
     
    E as moças da SUCAM
    Que trabalham em educação
    Vivem ensinando a esse povo
    Como fazer prevenção
     
    Essa gente dedicada
    Que ensina essa lição
    Cumpre seu objetivo
    Fazendo divulgação
     
    O doutor, o laboratório
    O guarda e o inspetor
    Todos lutam no combate
    Ao inseto sugador
     
    E se a SUCAM precisa
    Sua casa borrifar
    Entenda que isso é feito
    Para o barbeiro matar
     
    São vários inseticidas
    Alguns em forma de pó
    Atuam contra os insetos
    Matando o Procotó
     
    A casa que é aguada
    Com esse inseticida
    Fica livre do barbeiro
    Não deixa nenhum
    com vida
     
    O produto inseticida
    Do jeito que é usado
    Não tem perigo
    pro homem
    Isso já foi comprovado
     
    Só se conhece a vitória
    se todo mundo ajudar
    Aí chegará o dia
    Dessa doença acabar


     

  • 07/06/2010 às 10:14

    Atividade Física e o Coração

    Na prática clínica diária, procuramos sempre de forma enfática, alertar aos clientes que vão ao nosso consultório, do quanto é importante a prática de exercícios físicos como fator preponderante para evitar as doenças cardiovasculares e na melhora e regressão daqueles que já são portadores de doenças, chegando a afirmar com muita tranqüilidade, experiência e convicção que a atividade física representa os pilares de sustentação para combater e tratar da forma mais positiva as surpresas do coração.

    Vários estudos têm demonstrado que o sedentarismo está associado com a maior incidência de doença arterial coronária (DAC) que leva ao temível infarto agudo do miocárdio (IAM), inversamente, a prática regular de exercícios físicos é extremamente útil na prevenção primária e secundária dessa grave e imprevisível doença, assertiva que ratifica o preâmbulo acima descrito. Os mecanismos pelos quais a prática física influi no combate a DAC não estão totalmente elucidados.
     

    Sabe-se que a ação benéfica da atividade física pode depender da melhora da capacidade cardiorespiratória e da atuação sobre vários fatores de risco importantes para o desencadeamento da aterosclerose coronária, podendo-se citar o perfil lipídico (aumento do colesterol), a hipertensão arterial, diabetes, obesidade, como também o estresse emocional. Confrontando-se o exposto, estaríamos atuando de forma benéfica e elucidativa no tema mais atual do momento: a síndrome metabólica.

    Porém tem sido demonstrado que a intensidade de exercícios capaz de melhorar o perfil metabólico é menor do que a necessária para levar ao incremento importante da capacidade cardiorespiratória. Adicionalmente também existem controvérsias quanto a quantidade de exercício recomendado para melhorar o perfil metabólico e conseqüentemente reduzir o risco de doenças cardíacas, particularmente as provocadas por isquemia do miocárdio.


     

    Tomando como base o nosso posicionamento pessoal e tópicos do consenso universal, recomendamos caminhadas diárias de manhã cedo, a tardinha ou a noite compreendendo um período de uma hora, salientando-se que o recomendado são caminhadas com passos apressados e nunca corrida sem critérios e orientação. Essa prática realizada correta e diariamente trazem os mais variados benefícios, como por exemplo uma boa distribuição da gordura corpórea, melhora da resistência arterial periférica, o mesmo acontecendo com a sensibilidade à insulina e ao perfil lipoprotéico, como já citamos no início. Essa forma de exercício é fácil prescrição a médio e longo prazo, pois o tempo vai tornar evidente os benefícios alcançados, plenamente palpável e visível com o bem estar alcançado pelos que aceitarem essa prática redundantemente saudável.

    Se os leitores nos indagassem: e as crianças, o que devemos fazer, como aconselhar? Podemos responder respaldado nos últimos estudos e pesquisas na área cardiológica no Brasil e no mundo, dando ênfase as muitas reuniões que trataram desse assunto com importantes órgãos da cardiologia mundial, citando-se: o American Heart Association e o American College of Cardiology quando se discutiram a prevenção como ponto crucial da especialidade cardiológica.


     

    Então baseado no que já foi dito, não temos outra resposta senão: a prevenção deve iniciar nos primeiros meses de vida. É um paradigma lógico e verdadeiro para os que exercem a especialidade em sintonia com os novos tempos, o conhecimento desse fato tranqüiliza e esclarece aos pais repletos de dúvidas.

    Desde os primeiros anos de vida deve-se iniciar um programa de mudanças no estilo de vida, que compreende iniciar uma dieta balanceada pobre em gordura animal, frituras e no tempo adequado restringir derivados do leite e, claro, iniciar os exercícios físicos em prática de esporte dos mais saudáveis, evidentemente acompanhando a fase de crescimento da criança e gradativamente orientar os esportes recomendados como eficientes, descontraídos e naturalmente salutares, exemplificando: natação futebol, bicicleta, observando uma cronometragem normal, havendo dúvidas, consultar seu cardiologista no sentido de uma orientação mais fundamentada que varia de uma criança para outra.


     

    O importante é deixar claro que a primeira idade já foi incluída no contexto da prática física como prevenção precoce dos acidentes cardiovasculares. Finalmente queremos deixar uma mensagem lúcida e consciente, fruto de uma experiência de mais de vinte anos de militância na especialidade cardiológica. A prática de exercícios físicos constitui-se numa arma das mais poderosas para evitar e tratar os imprevisíveis e indesejados ataques do coração, diminuindo conseqüentemente a morbi-mortalidade da população, levando a longevidade com boa qualidade de vida.

     

  • 31/05/2010 às 09:50

    Doutor, tenho o coração crescido

    Muitas vezes, nós, profissionais da saúde, nos deparamos com essa afirmação. Dentro desse contexto, será abordada a Doença de Chagas, a qual comemora, em 2009, seu centenário. A patologia a ser descrita foi descoberta em abril de 1909, por Carlos Chagas, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, representando um marco na história da medicina.

              No tocante à epidemiologia, atualmente, há cerca de 12 milhões de portadores da doença na América Latina e aproximadamente 2,5 milhões de pessoas infectadas no Brasil, existindo áreas endêmicas em quase todo o país. Além disso, em 1990, a mortalidade pela doença de Chagas foi estimada em 3,9/100.000 habitantes no Brasil.
             A doença de Chagas ou Tripanossomíase Americana é uma patologia infecciosa, de curso crônico, e que tem como agente etiológico um protozoário parasita, chamado Trypanosoma cruzi. A transmissão pode ser: vetorial, transfusional, vertical (durante a gravidez) ou por via oral (caso de contaminação por ingestão de caldo-de-cana contaminado com fezes do “barbeiro”, em Santa Catarina), sendo mais comum a primeira forma.
              O vetor (agente que transmite a doença) é um inseto, o triatomíneo, conhecido popularmente como “barbeiro” ou “chupão”, o qual possui hábitos noturnos, vive em frestas de casas de pau-a-pique, tocas de animais, casca de troncos de árvores, dentre outros.
               Tal inseto, ao se alimentar do sangue de animais (cão, tatu, gambá, rato, entre outros) e/ou outros humanos contaminados, se infecta e, ao picar um indivíduo saudável, deposita suas fezes (contaminadas com o parasita). O indivíduo coça o local da picada, espalhando as fezes do inseto, que entram em contato com solução de continuidade da pele/mucosas e, dessa forma, há contaminação com o T. cruzi.
                  As manifestações clínicas da doença são várias, apresentando alterações peculiares nas respectivas fases: aguda, indeterminada e crônica.
                  A fase aguda dura cerca de dois a quatro meses e é caracterizada por parasitemia alta (grande quantidade de parasitas na circulação sanguínea). Algumas vezes, pode ser sintomática ou oligossintomática.
                  No local da picada pelo vetor, observa-se o chamado chagoma de inoculação (área vermelha e endurecida); quando essa lesão é próxima aos olhos, é conhecida como sinal de Romaña. Além disso, o paciente apresenta adenomegalia em linfonodos próximos à lesão.
                 Após um período de incubação (5-14 dias), o paciente apresenta febre (prolongada e recorrente), linfoadenomegalia generalizada, rash cutâneo (vermelhão generalizado). Pode haver alterações cardíacas, hepatomegalia, esplenomegalia. Em casos graves, o indivíduo pode apresentar quadro de meningite ou encefalite.
               Com o término da fase aguda (aparente ou inaparente), caso não seja feito tratamento específico, o paciente evolui para a fase crônica.
               A fase indeterminada é uma forma crônica, na qual o paciente apresenta exame sorológico positivo para a doença, no entanto não tem alterações identificáveis por exames específicos. Esta fase pode durar toda a vida ou, após cerca de 10 anos, pode evoluir para outras formas.
               Na fase crônica, o indivíduo pode apresentar alterações cardíacas e/ou digestivas ou ainda em outros órgãos, sendo estas menos comuns.
               Acerca das alterações cardíacas, constata-se que entre os indivíduos infectados, aproximadamente 25-35% apresentam comprometimento cardíaco. Outro dado pertinente: dos casos que evoluem mal, 91% apresentam insuficiência cardíaca. Causam importante limitação no chagásico crônico e provocam alto percentual de mortes.
                O paciente pode ser assintomático (com alterações no eletrocardiograma) ou apresentar desde arritmias, acidentes tromboembólicos, insuficiência cardíaca até morte súbita. Vale ressaltar ainda que, uma das principais características do paciente chagásico de longa data é a presença de cardiomegalia (observada na radiografia de tórax), o famoso “coração crescido”, referido no título do artigo.
                 Sobre os danos ao trato digestivo, há principalmente complicações relacionadas aos plexos nervosos, envolvendo alterações na motilidade e morfologia, resultando em megaesôfago ou megacólon, esôfago e intestino grosso dilatados, respectivamente. Tais alterações podem ser observadas através de exames radiológicos contrastados.
                 Para se fazer o diagnóstico, deve-se suspeitar da patologia (paciente oriundo de áreas endêmicas, contato prévio com “barbeiro”), avaliar sintomatologia do indivíduo e recorrer a exames laboratoriais, os quais compreendem: métodos parasitológicos, para identificação do parasita e/ou métodos sorológicos, para detecção da resposta imunológica do hospedeiro.
                O tratamento vai depender da fase da doença. Sob supervisão médica, existe terapêutica satisfatória usada na fase aguda, a qual deve ser instituída precocemente. Já na fase crônica, são utilizados recursos diversos a depender das complicações existentes.
                 No caso da doença de Chagas, a prevenção é a melhor medida. Deve-se evitar contato com o “barbeiro”, visto que não se sabe qual deles pode estar contaminado com o T. cruzi e portadores do parasita, mesmo que assintomáticos, não podem doar sangue.
                Portanto, para erradicar a doença de Chagas, como medida de vigilâncias sanitária e epidemiológica, devem ser realizadas: eliminação do inseto transmissor ou manutenção do mesmo afastado do convívio humano.
             
    Como diria o dr. Fernando Lianza Dias (cardiologista e cordelista): “Só se conhece a vitória/se todo mundo ajudar/ Aí chegará o dia/ Dessa doença acabar”.
     

  • 11/01/2010 às 11:04

    HIPERTENSÃO E DEPRESSÃO HUMANA: UMA ASSOCIAÇÃO EM PROGRESSÃO GEOMÉTRICA

     

    Depressão é uma doença, não um estado de espírito passageiro. A Hipertensão Arterial (HA) é a patologia cardiovascular mais presente do mundo contemporâneo e a causa mais comum de atendimento ambulatorial. Na maioria das vezes, tem uma evolução silenciosa, passando despercebida pelo paciente. Quando não diagnosticada e tratada inadequadamente, pode causar sérios danos a saúde do coração. Tem etiologias multifatorial e dificilmente aparece isolada, sendo mais freqüente sua associação com diabetes, dislipedemia, obesidade, apnéia do sono, tabagismo e depressão, o que agrava a doença.
    Estima-se que 30% dos pacientes portadores de HA apresentem associações com depressão. Esta relação é muito complexa e envolve alterações neuroquímicas ainda não totalmente esclarecidas.
    Em que pese esta prevalência aumentada, a depressão continua sendo pouco diagnosticada na pratica diária. Vale ressaltar que, muitas vezes, os sintomas somáticos (queixas de dor física, perda de peso, cansaço, astenia e alterações gástricas ou intestinais) são mais expressivos do que aqueles relacionados à esfera psíquica, o que pode mascarar ou dificultar o diagnóstico.
    A depressão é uma doença persistente e recorrente que impõe grande sofrimento as pessoas afetadas e à família, com importante impacto negativo nas suas funções laborativas e na sua qualidade de vida. Infelizmente, a depressão ainda é considerada pela sociedade e mesmo por alguns profissionais na área de saúde como algo que pode ser superado por esforço próprio do paciente, não requerendo, portanto, tratamento. Ao contrario dessa crença, sabe-se, hoje, que a depressão não só agrava a hipertensão como também diminui a resposta ao tratamento desta, assim como aumenta a mortalidade cardiovascular.
    Embora uma relação médico–paciente empática seja fundamental na abordagem de qualquer doença, na depressão ela se torna mais importante, uma vez que o diagnostico não se faz com exames complementares e sim escutando o paciente com sensibilidade, no sentido de acolher seu sofrimento, que, embora não possa ser mensurado por meio de exames, é devastador. Portanto, faz-se necessária uma abordagem abrangente que permita não apenas o diagnostico e o tratamento, mas também um esclarecimento sobre a enfermidade, mostrando que a depressão não é “uma fraqueza de caráter”, mas uma doença que requer uma orientação terapêutica individualizada.
    Devemos lutar por uma maior conscientização dos pacientes de seus familiares, como também da classe médica em geral, no sentido de desmistificar o tema, pois apesar de já existirem medicações e suporte psicoterapêutico eficazes, é lamentável que, em pleno século 21, a depressão ainda não seja subdiagnosticada e, conseqüentemente, não tratada, o que, além do impacto negativo sobre a saúde, dificulta o controle de todas as doenças associadas.
     

  • 15/12/2009 às 17:32

    TRANS-ÁCIDOS GRAXOS - MITOS E DESINFORMAÇÕES

     

    Continua sendo um assunto cada vez mais polêmico, principalmente no que se refere à população leiga, sem isentar jamais a comunidade médica-científica mundial.
    Refletindo, dessa forma, fizemos uma análise retrospectiva de estudos publicados nas principais revistas americanas, européias e consensos brasileiros elaborados nos finais do século passado, principalmente em publicações do final da década passada, citando, por exemplo, o New England Journal of Medicine: 337: 1491-99 1997. Hu et al.
    Nesse trabalho foi analisado o efeito da ingestão de tipos específicos de gorduras, particularmente os trans-ácidos graxos, sobre os fatores de risco de doença coronariana em mulheres registradas no Nurse's Health Study. Os resultados do estudo trazem informações extremamente intrigantes:
     
    a) a cada elevação de 5% da ingestão de gordura saturada, como energia, associa-se elevação em 17% do risco de doença coronariana.
    b) a cada elevação em 5% da ingestão de gordura poliinsaturada, como energia, associa-se redução de 0,62 (intervalo de confiança de 95%, 0,46 a 0,85; p=0,03) do risco de doença coronariana.
    c) a substituição de 5% de gordura saturada por 5% de gordura insaturada resulta em redução do risco de doença coronariana em 42 % ( 95% intervalo de confiança- 23 a 56 com p < 0,01).
    d) a substituição de 2 % da energia de trans-ácidos graxos por gordura insaturada reduz o risco em 53% (34-67 p < 0,01).
    Esses resultados confirmam a importância da redução na ingestão de gordura saturada para prevenção da doença coronariana. Sugerem também que os ácidos graxos trans tem um papel similar aos ácidos graxos saturados na patogenia coronariopatia. Nenhum outro efeito dos ácidos graxos, embora sugerido, foi confirmado. Esses dados já haviam sido exaustivamente demonstrados por Katan et al.
               
                Comentários correlacionados com a época:
    Os resultados desses estudos reforçam as afirmações contidas no Consenso Brasileiro sobre Hiperlipemia da SBC. Departamento de Aterosclerose (1993 e 1996) segundo o qual deve-se orientar pacientes hipercolesterolêmicos a reduzir a ingestão de gordura saturada. Por outro lado, sugere, indiretamente, que o uso de halvarina livre de ácidos graxos trans deve substituir manteiga e margarinas duras no planejamento tanto da dietoterapia de hipercolesterolêmicos como da orientação da população em geral.
    Finalizando, novas pesquisas e estudos estão em andamento, muitos avanços deverão surgir, pois o complexo etiofisiopatogênico da doença aterosclerótica com os fantásticos avanços terapêuticos progressivos, parece que estamos chegando a ponta do iceberg. 
     
     


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